A inovação não pode mais ser confinada a uma “sala de inovação” ou a um departamento específico. Ela precisa estar no DNA de cada colaborador. Afinal, Inovação é mindset, não departamento!

A crítica que fazemos a empresas que idealizam “salas de inovação” é que, no fundo, elas buscam replicar algo que deveria ser intrínseco à cultura. No futuro – e já deveria ser presente – não haverá mais a necessidade de setores isolados de inovação. Todo colaborador, se estiver aberto e estimulado, pode e deve ser um agente de mudança, constantemente buscando formas de fazer melhor.

A chave está em criar uma cultura de abertura, onde as pessoas se sintam à vontade para propor ideias, questionar processos e sugerir melhorias. É o poder do “e se…?” que impulsiona a inovação: “e se a gente fizesse assim?”, “e se a gente fizesse assado?”. Esse espaço para o questionamento e a colaboração é onde a verdadeira inovação acontece.

Novas habilidades para novos tempos: a força da experimentação

Os diversos desafios que enfrentamos ao longo do tempo nos traz a lição valiosa: a capacidade de nos experimentarmos e desenvolvermos novas habilidades. Seja pintar uma parede, iniciar uma horta ou explorar novos hobbies na cozinha, essas experiências nos ajudam a construir um novo repertório.

As empresas precisam proporcionar esses espaços de experimentação, permitindo que as equipes testem novas abordagens e descubram habilidades que podem ser utilizadas a favor da inovação. O pensamento cartesiano de “fazer na caixinha” precisa dar lugar a uma mentalidade mais fluida e adaptativa.

O impulso inovador da crise e o medo do erro

A pandemia foi um catalisador para a inovação. Ela nos obrigou a ir para o online, a repensar processos e a acelerar a transformação digital que, em muitos casos, já existia em outros mercados (como o e-commerce desde os anos 90!). Essa adaptação forçada nos mostrou que somos capazes de inovar sob pressão.

No entanto, o medo de errar ainda é um grande limitador. Empresas que buscam o “benchmark” ideal para inovar, em vez de assumir o risco de serem o próprio benchmark, perdem oportunidades. Inovar, muitas vezes, significa fazer algo que ninguém fez antes, e isso implica a possibilidade de erro. É fundamental criar um ambiente onde o erro seja visto como parte do aprendizado e da experimentação.

O Design de Futuros nos convida a projetar o amanhã, não como uma utopia distante, mas como uma construção ativa no presente. Pensar nos futuros de longo prazo nos permite construir as bases hoje para chegar a um futuro mais inclusivo e sustentável.

Agora, um diálogo necessário: saúde mental x inovação

Em meio à constante busca por produtividade e inovação, a saúde mental da força de trabalho emerge como uma preocupação central. A pandemia exacerbou fragilidades emocionais que já vinham sendo discutidas. Muitos se sentem exaustos, sem saída, com dificuldade de encontrar referências. Já fazem seis anos e seguimos buscando maneiras de entender e tratar o tema nas organizações.

É papel das organizações e das lideranças criar redes de apoio e promover conversas abertas sobre o tema. Não se trata de ter todas as respostas, mas de tranquilizar, reconhecer a vulnerabilidade e estimular a busca por ajuda. A pandemia, paradoxalmente, também nos reaproximou. Voltar a ter conversas mais significativas, parar para ouvir e compartilhar as dificuldades, mostra que ninguém está sozinho. Essa empatia e acolhimento são tão importantes quanto qualquer nova tecnologia.

A palavra “design”, em sua essência, significa projeto. Projetar futuros, com base na empatia, colaboração e experimentação, é um convite a olhar para os processos, para as pessoas e até para os objetos do cotidiano. É observar como o usuário realmente interage com o produto e, a partir daí, inovar de forma incremental, sem a pressão de ser radical a todo custo.

Como facilitadores, aprendemos que a verdadeira riqueza não está apenas em levar conhecimento, mas em viabilizar que as pessoas construam seus próprios conceitos. É nessa troca e aprendizado mútuo que saímos mais enriquecidos, prontos para seguir construindo e inovando.

Que pequenas experimentações você pode iniciar hoje para desenhar o seu futuro e o futuro da sua equipe?

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Graduada em Psicologia pela PUCRS.
Especialização em Psicologia Organizacional pela Fadergs.
Professional Coaching - SLAC - Sociedade Latino Americana de Coaching.
Analista Comportamental DISC Profiler pela Sólides.
Há mais de 16 anos na área Gestão de Pessoas ampliando sua experiência em empresas de varejo, serviço e indústria nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Goiás.

Em sua última experiência corporativa atuou como supervisora no processo de folha de pagamento e desenvolvimento de líderes e equipes.

Facilitadora e palestrante nos temas de Educação Corporativa, comunicação e feedback, ensino e aprendizagem e gestão do conhecimento.